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Hidrogênio verde: o pioneirismo da Tractebel na descarbonização da mineração chilena

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Publicado em 14 abril 2026

Em um marco histórico para a transição energética da América Latina, a Tractebel, em parceria com a Anglo American e a ENGIE, participou da implantação do primeiro projeto de hidrogênio verde voltado à mineração no Chile. A iniciativa, inaugurada em agosto de 2021, simboliza um avanço concreto rumo à redução das emissões de carbono em operações industriais de alta intensidade energética.

 

Localizada na planta de flotação Las Tórtolas, na Região Metropolitana de Santiago, a instalação foi desenhada para produzir, armazenar e fornecer hidrogênio verde destinado ao abastecimento de veículos utilizados nas atividades mineradoras. O projeto consolidou o Chile como um dos países pioneiros na adoção dessa tecnologia na América do Sul.

 

A Tractebel atuou como contratada EPC (Engenharia, Aquisição e Construção), conduzindo todas as etapas do ciclo de implantação: desde a fabricação e transporte dos equipamentos até a instalação e o comissionamento da planta. O escopo incluiu uma unidade de eletrólise alimentada por energia solar fotovoltaica, um sistema de compressão e armazenamento de hidrogênio e uma estação de abastecimento para veículos industriais.

 

O sistema abastece uma empilhadeira equipada com célula a combustível, capaz de ser reabastecida em apenas 3 a 5 minutos, com autonomia operacional de cerca de 8 horas.

 

Durante a cerimônia de inauguração, o então presidente chileno Sebastián Piñera classificou o projeto como “um marco histórico para o futuro energético do país”.

 

O impacto do projeto ultrapassa suas fronteiras iniciais. Em 2023, a Anglo American deu início ao estudo Green Hydrogen Valley, destinado a criar um ecossistema de produção e consumo de hidrogênio verde na região central do Chile. No ano seguinte, em 2024, foi lançado o primeiro ônibus a hidrogênio do país, demonstrando a evolução natural dessa tecnologia para a mobilidade em larga escala.

 

O projeto de Las Tórtolas mostra, na prática, como o hidrogênio verde pode transformar o setor de mineração, unindo eficiência, segurança operacional e compromisso ambiental, e reafirma o papel da Tractebel como parceira estratégica na construção de um futuro energético descarbonizado, integrando soluções completas de engenharia para a economia de baixo carbono.

 

A partir desse marco pioneiro, o projeto da Tractebel no Chile evidencia o papel estratégico do hidrogênio verde na transição energética global. O sucesso da iniciativa mostrou que é possível aplicar soluções de alta complexidade técnica em contextos industriais exigentes, como a mineração, setor historicamente dependente de combustíveis fósseis.

 

Mas, afinal, o que torna o hidrogênio verde tão essencial para o futuro da energia? Entender sua origem, aplicações e benefícios é fundamental para compreender por que empresas e governos em todo o mundo estão investindo nessa tecnologia como um dos principais vetores da descarbonização.

 

O que é o hidrogênio verde

O hidrogênio verde é considerado um dos pilares da transição energética rumo a uma economia de baixo carbono. Ele é produzido a partir de fontes renováveis de energia, como solar, eólica ou hídrica, por meio de um processo chamado eletrólise da água, tecnologia que utiliza eletricidade para separar as moléculas de hidrogênio (H₂) e oxigênio (O₂).

 

O resultado é uma fonte energética limpa e versátil: quando o hidrogênio é utilizado em células a combustível, ele reage com o oxigênio do ar para gerar energia elétrica e vapor d’água, sem emissão de dióxido de carbono (CO₂) ou outros poluentes. Essa característica o diferencia do hidrogênio cinza, obtido a partir de gás natural, e do hidrogênio azul, que, embora inclua captura parcial de carbono, ainda depende de fontes fósseis.

 

Por eliminar emissões diretas em todo o seu ciclo de produção e uso, o hidrogênio verde vem sendo reconhecido como uma solução energética essencial para a descarbonização de setores de difícil eletrificação, como transporte pesado, mineração, siderurgia e indústrias químicas. Além disso, ele pode ser armazenado e transportado, servindo como um elo entre diferentes fontes e formas de energia, algo que o posiciona como componente estratégico na matriz energética do futuro.

 

Como o hidrogênio verde é produzido

O princípio básico da produção do hidrogênio verde é a eletrólise da água, processo no qual uma corrente elétrica proveniente de fontes renováveis quebra as moléculas de H₂O em hidrogênio (H₂) e oxigênio (O₂) – 2 H₂O → 2 H₂ + O₂

 

Após a separação, o hidrogênio é comprimido, armazenado e transportado para posterior uso em processos industriais, geração elétrica ou abastecimento veicular.

 

O desempenho e o custo desse processo dependem de fatores como:

  • Eficiência dos eletrolisadores (equipamentos que realizam a eletrólise)
  • Custo da eletricidade renovável
  • Infraestrutura de compressão e distribuição
  • Escala de produção

Regiões com abundância de energia solar e eólica, como Chile, Brasil e Austrália, tendem a se destacar na produção competitiva de hidrogênio verde, justamente por combinarem recursos naturais favoráveis e crescente maturidade tecnológica.

 

Aplicações e potencial para a mobilidade

Um dos campos mais promissores para o uso do hidrogênio verde é a mobilidade sustentável. Veículos movidos a célula de combustível utilizam o hidrogênio para gerar eletricidade, com zero emissões e reabastecimento rápido.

 

Enquanto para abastecer modelos elétricos a bateria é preciso um período de recarga mais longo, os veículos a hidrogênio podem ser reabastecidos em 3 a 5 minutos, oferecendo autonomia superior e mantendo a produtividade de frotas industriais e comerciais.

 

Essa vantagem operacional é especialmente relevante em setores como:

  • Mineração, onde equipamentos pesados precisam operar continuamente
  • Transporte público urbano, com ônibus que percorrem longas distâncias diárias
  • Logística e portos, com empilhadeiras e veículos de apoio
  • Transporte marítimo e aéreo, setor que já avalia o uso de hidrogênio e derivados sintéticos

 

Em todos esses casos, o hidrogênio verde é apontado como uma alternativa real para reduzir emissões sem comprometer desempenho ou autonomia.

 

Vantagens econômicas e ambientais do hidrogênio verde

A adoção do hidrogênio verde representa um marco estratégico para a economia energética global. Além de eliminar emissões de carbono no uso final, essa tecnologia traz ganhos concretos de eficiência, competitividade e diversificação da matriz energética, ajudando empresas e governos a atingirem metas de neutralidade de carbono.

 

Ao permitir o armazenamento e transporte de energia renovável em forma molecular, o hidrogênio atua como um elo entre diferentes setores, conectando geração elétrica, transporte, indústria e infraestrutura.

Do ponto de vista econômico, o avanço da eletrólise e a redução do custo das fontes renováveis estão tornando o hidrogênio verde cada vez mais viável. Projeções de mercado apontam que, em poucos anos, o custo por quilograma poderá atingir níveis competitivos em relação aos combustíveis fósseis, principalmente em regiões com alta disponibilidade solar e eólica.

 

Confira outros destaques:

 

Valorização de ativos e imagem corporativa

Empresas que investem em hidrogênio verde se posicionam na vanguarda da transição energética. Projetos pioneiros geram visibilidade positiva e reforçam o compromisso com práticas ESG.

 

Independência energética

A produção local de hidrogênio verde a partir de fontes renováveis reduz a dependência de combustíveis fósseis importados, fortalecendo a segurança energética dos países.

 

Geração de empregos e inovação

A nova cadeia de valor, desde a fabricação de eletrolisadores até a logística, estimula a criação de empregos qualificados e o desenvolvimento de tecnologias limpas.

 

Competitivo e ambientalmente imbatível

Estudos da Agência Internacional de Energia (IEA) e da Bloomberg indicam que, até 2030, o hidrogênio verde poderá alcançar paridade de custo com o hidrogênio cinza em países com alto potencial solar. Isso o tornará economicamente competitivo e ambientalmente imbatível.

 

Ainda de acordo com a IEA, a produção global de hidrogênio verde poderá atingir 180 milhões de toneladas por ano até 2050, respondendo por cerca de 20% da demanda mundial de energia. Essa expansão permitiria evitar mais de 6 gigatoneladas de CO₂ anuais, o equivalente às emissões conjuntas de Estados Unidos e União Europeia.

 

Hidrogênio verde e o futuro da energia

O hidrogênio verde deixou de ser apenas uma promessa e tornou-se uma realidade tecnológica em rápida expansão. Projetos como o da Tractebel e Anglo American no Chile demonstram que é possível integrar engenharia de ponta, eficiência energética e compromisso ambiental em soluções viáveis e replicáveis.

 

À medida que novos investimentos são feitos e as cadeias de produção amadurecem, o hidrogênio verde tende a ocupar um papel central na matriz energética global, acelerando a descarbonização de setores-chave e contribuindo para um planeta mais sustentável.

 

Com visão estratégica e expertise técnica, a Tractebel segue na vanguarda dessa transformação, desenvolvendo projetos que conectam inovação e sustentabilidade, e comprovando, na prática, que o futuro da energia é verde, limpo e possível.